Na sequência do desafio feito pelo amigo Finúrias, decidi escrever dois textos sobre o mesmo tema, um que já lhe enviei e este, que ilustro com umas fotos que tirei há muitos anos a uma estátua, da qual desconheço o autor, mas que me lembro de ter ficado a olhar e a tocar durante bastante tempo.
Se desse voz às formas que me assomam os sentidos, se lhes tirasse o negrume e deixasse apenas a pele aos gestos descarnados, quem sabe a tela se encheria de uma nova claridade invadida por ecos de audácia.
Permaneço no entanto, na margem desta água provisória e sinto nunca ter tocado a alma das coisas; fico-me aqui acariciando esta pedra e tentando adivinhar-lhe o sexo, por entre as nervuras da pele retalhada, como um cego usando todos os sentidos.
E quanto mais luz existe, mais cega me sinto frente a este espelho sem vida, que sinto como uma morte sem janelas.
Acocoro-me por entre as luzes e busco um sono profundo que nenhum café conseguirá acordar; enterro-me mais ainda no lodo e deixo-me desaparecer lentamente, vou pensando devagar que afinal, talvez a paz seja possível...
Ninguém, 13 Janeiro 2007
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9 comentários:
S E N S A C I O N A L!
Beijos
Espectacular!;)
beijos
bondade vossa, só pode. Também gostei muito dos vossos poemas.Beijocas e parabéns!!
aqueceste a pedra da estátua. as palavras fazem milagres quando as sabemos colocar nos lugares certos.
Gostaria também de lá postar este 2º texto que adorei . Achas bem ?
Por: Ivamarle ou por Ninguém ?
Com link praki ou prali ?
Epá !!! tantas purguntas...
podes colocar como ninguém e link para aqui, eu mando-to via mail.
Abracinhos
muito bom... mesmo
Gostei do novo espaço
muito bom!
tás a fazer-te aos tremoços :P
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